MEDICINA RACIONAL

CUIDADOS QUE DEVEMOS TER AO USAR QUALQUER MEDICAMENTO

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Estudos científicos bem embasados já provaram que dar risadas ajuda a emagrecer e casamento pode levar você a morte, outros, mostraram coisas óbvias, como que as pessoas são mais felizes aos finais de semana e que pessoas dirigem mal quando falam ao celular!

Existe estudo científico para provar qualquer coisa, desde questões religiosas (um estudo já provou que oração pode ajudar a melhorar um doente), até estudos altamente complexos que provam que uma nova e revolucionária droga é o melhor remédio para aquela doença raríssima, cujo aparecimento vem aumentando nos últimos anos!

 

Novas drogas têm sua patente associada ao laboratório que a fabricou e este cobra o preço que achar mais conveniente, já que não existe concorrência! Se o paciente não tiver dinheiro, tenta-se de tudo: de campanha para arrecadação, até processar o estado para conseguir o remédio! O que ninguém questiona, em momento nenhum, é como um medicamentos desses não deveria ser mais barato, já que além dos riscos de ser um remédio pouco pesquisado (a todo dia, são descobertos novos e graves efeitos colaterais de medicamentos conhecidos há mais 30 anos, imagine de remédios muito mais novos!), eles também não têm sua eficácia e segurança totalmente comprovadas! 


As pessoas precisam saber que um remédio desses não custa caro pelos custos de sua produção, mas sobretudo pelos custos relacionados ao marketing necessário para sua venda (mais de 50% do valor do medicamento), os custos com pesquisas científicas realizadas durante seu processo de criação, além (é claro) de uma generosa margem de lucro para o laboratório!


Os consumidores de medicamentos muito caros também deveriam saber que, na maioria das vezes, o médico que prescreve o remédio também se beneficia com sua venda, com coisas que vão desde pequenos mimos (canetas, bloquinhos, enfeites de mesa, tablets) até mesmo passagens de avião, finais de semana em resorts, inscrições em congressos, entre outros...


E essa conta é sempre paga pelo consumidor final (nunca pelo laboratório)!


Notem que não questiono aqui quem deve ou não usar o remédio! Conheço casos em que remédios novos salvaram vidas, mas sem dúvida nenhuma, conheço mais casos onde eles as tiraram! No entanto, os donos de laboratórios nunca foram e nunca serão responsabilizados por essas mortes, já que sempre constam nas bulas dos medicamentos observações extensas sobre os graves efeitos colaterais e as complicações que podem advir do seu uso! O laboratório está sempre juridicamente respaldado e o médico sempre aparece como herói, pois ofereceu o que havia de melhor para o tratamento daquela doença! A pobre família do paciente sequer desconfia que, em muitas situações, se pessoa não tivesse tomado nada, estivaria viva e em melhor saúde do que tomando aquele remédio novo e extremamente caro!

 

Na verdade, tendo dinheiro para bancar, qualquer coisa pode virar verdade científica! Os laboratórios compram médicos pesquisadores, universidades, equipes e cobaias, tudo pode ser comprado! Vale lembrar que nos Estados Unidos, por exemplo, pessoas ganham dinheiro para participar de pesquisas, e já foram feitas outras pesquisas (que ironia), mostrando que esse fato interfere no resultado final! Se no Brasil isto é proibido (oferecer dinheiro), não faz nenhuma diferença: o respaldo dentro da comunidade científica brasileira de um estudo norte-americano, é infinitamente maior que o respaldo de um estudo brasileiro! Além do mais, no Brasil não somos santos, pois nos aproveitamos da ignorância da população dos SUS, para conseguir voluntários (cobaias) para trabalhos científicos, estes, ignorando os riscos que correm, colaboram espontaneamente!

 

Não é que a ciência não preste! E como na política: não é a política que é ruim, os políticos é que são ruins... 

Com a ciência é a mesma coisa...

 

Os grandes laboratórios ganham muito dinheiro com medicamentos novos, por deterem suas patentes por um período de dez anos! O problema é que do início da abertura da patente até o remédio efetivamente começar a ser vendido, geralmente, se passam pelo menos quatro anos; sendo assim, o laboratório precisa, em seis anos, pagar todos os custos com propagandas, pesquisas e produção e ainda ter uma generosa margem de lucro...

 

Entendeu agora porque remédios mais novos custam tão caro? 

 

Se um remédio custa duzentos reais cada comprimido, 198 reais representam custos com pesquisa e propaganda! (muito mais com propaganda do que com pesquisa)

 

A propaganda funciona assim: quando o remédio é lançado, o que determina seu preço é a previsão de pessoas que vão precisar do remédio, a gravidade da doença que ele cuida e se ele é o único, ou não, capaz de tratar aquela doença!

Por isso que são os próprios laboratórios que patrocinam todas aquelas campanhas televisivas, orientando às pessoas que, se estiverem com determinados sintomas ou se enquadrarem em determinadas faixas etárias ou de comportamento, procurem um médico o mais rápido possível! A ideia é, literalmente, aumentar a quantidade de doentes daquela doença específica (incluindo, também, pessoas saudáveis) e oferecer o remédio fabricado por ela como a única e melhor opção para tratar aquela doença!

 

Assim, eles patrocinam reportagens em revistas de saúde, jornais, etc...

 

Ficam ganhando rios de dinheiro com esse remédio até o fim da patente (a partir do qual, outros laboratórios também poderão fabricar o remédio); passado esse tempo, os mesmo pesquisadores que publicaram trabalhos falando das vantagens desse remédio, começam a publicar trabalhos falando dos riscos, efeitos colaterais e do fato desse remédio não ser tão bom quanto um novo remédio que eles estão lançando agora!

(Reiniciando novamente o ciclo, que nunca acaba!)


Percebam que, apesar de algumas coisas que foram ditas aqui serem totalmente imorais, algumas não podem ser consideradas ilegais, portanto, os laboratórios são respaldados por lei! 


Como confiar tanto em uma empresa que prospera mais, quanto mais doente você ficar e mais remédios tomar?


E que lucra mais quanto mais rara e grave a sua doença for?


Existe algum limite entre o ético e o livre mercado consumidor?


São perguntas que, infelizmente, não possuem respostas!